Emílio Odebrecht é quem fornece carne de paca para Lula e Janja
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Primeira-dama acumula 170 dias fora do país desde 2023, e o contribuinte brasileiro não sabe quanto isso custa

Há uma pergunta simples que deveria ter resposta simples: quanto custa ao contribuinte brasileiro a agenda internacional da primeira-dama Janja? E quem fiscaliza essa conta?

O deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS) fez exatamente essa pergunta. E o silêncio em torno dela diz mais do que qualquer resposta.

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Em vídeo publicado na segunda-feira (13), o parlamentar questionou se o Tribunal de Contas da União fiscaliza os gastos das viagens de Janja ao exterior. A dúvida é legítima. Desde o início do governo Lula, em 2023, a primeira-dama já acumula 170 dias fora do país. Só em 2026, foram 13 dias em três viagens distintas — Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos e Estados Unidos.

Cento e setenta dias. Quase seis meses no exterior. Com dinheiro público. E a pergunta permanece: quem olha essa fatura?

Mas há um detalhe que torna tudo mais revelador.

Na terça-feira (14), a Câmara dos Deputados elegeu o novo ministro do TCU — justamente o órgão que deveria fazer esse tipo de controle. Van Hattem defendia o nome da deputada Adriana Ventura (Novo-SP). Perdeu. Com 303 votos, quem levou a cadeira foi o deputado Odair Cunha (PT-MG).

Um parlamentar do partido do governo assumindo a vaga no tribunal que fiscaliza o governo. Coincidência?

A pergunta que ninguém faz é simples: como esperar fiscalização rigorosa quando quem fiscaliza deve sua cadeira a quem deveria ser fiscalizado?

Van Hattem foi direto: “Esbanja deve ser fiscalizada, sim! O uso do dinheiro do contribuinte precisa ser tratado com responsabilidade e transparência.”

A frase é dura, mas o contexto a sustenta.

A agenda internacional de Janja em números

O levantamento do Poder360 revela o ritmo da primeira-dama:

  • 170 dias fora do país desde janeiro de 2023
  • 3 viagens internacionais só em 2026
  • Passagens por Coreia do Sul, Emirados Árabes e Estados Unidos
  • Participação na 70ª sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher, na ONU

O governo argumenta que Janja atua em pautas voltadas às mulheres. E os números mostram que a estratégia tem método: em seis meses, foram 31 compromissos sobre o tema. Ela tem sido articuladora de iniciativas como o Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio.

A pauta é relevante. Ninguém questiona isso.

O que se questiona é outra coisa: transparência.

Segundo o TSE, mulheres representam 53% do eleitorado brasileiro. A atuação de Janja em pautas femininas tem, portanto, uma dimensão política evidente. E quando a política se mistura com dinheiro público, a fiscalização não é opcional — é obrigatória.

E é aí que a história complica.

Não existe, até o momento, uma prestação de contas detalhada e acessível sobre os custos dessas viagens. Quantas pessoas compõem as comitivas? Quais hotéis são utilizados? Qual o custo total por deslocamento? São perguntas básicas de qualquer democracia que se leve a sério.

Agora compare: quando a discussão envolve gastos de adversários políticos, a exigência de transparência aparece instantaneamente nos editoriais e nas tribunas. Quando o gasto é de quem está no poder, o debate some.

A República não tem primeira-dama no organograma. Não há cargo formal, não há atribuições definidas em lei, não há prestação de contas institucionalizada. Mas há gastos. Muitos gastos. E onde há dinheiro público, deve haver controle.

Van Hattem pode ser oposição. Pode ter interesse político na denúncia. Mas isso não invalida a pergunta. Pelo contrário — o problema é que apenas a oposição esteja fazendo essa pergunta.

Um TCU que acaba de receber um ministro indicado pelo partido do governo terá disposição para respondê-la?

O contribuinte brasileiro paga a conta. O mínimo que merece é saber quanto ela custa.

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