Ex-governador Romeu Zema declara que STF está podre
Em declaração dura durante coletiva de imprensa na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira, 22, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) fez duras críticas ao Supremo Tribunal Federal, afirmando que a Corte “está podre”.
Apoio ao impeachment de ministro do STF
A manifestação do político mineiro ocorreu em meio ao movimento da oposição que busca o impeachment do ministro Gilmar Mendes. Zema, que deixou o governo mineiro em março de 2026 para se lançar como pré-candidato à Presidência da República, direcionou suas críticas especialmente às nomeações feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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“Foi para o Supremo o advogado do presidente (Luiz Inácio Lula da Silva), o advogado do partido do presidente e o ministro nomeado pelo presidente. Desse jeito, só faltou colocar filho e neto”, declarou o ex-governador, questionando o atual sistema de indicações para a Corte.
Experiência administrativa como exemplo
Durante sua fala, Zema contrastou sua gestão no Executivo mineiro com as práticas que critica em Brasília. O político ressaltou que durante seus sete anos à frente do governo de Minas Gerais, não nomeou “um parente” para cargos públicos, mesmo tendo sob sua gestão cerca de 300 mil funcionários públicos estaduais.
“Então dá pra fazer certo”, analisou. “Fiquei 7 anos como governador sem um escândalo, sem corrupção, com total transparência. Já mostramos que dá pra fazer certo sim. E é disso que o Brasil precisa, porque o brasileiro está cansado. É Brasília aqui vivendo na riqueza, e o brasileiro vivendo na pobreza. São esses políticos, esses intocáveis vivendo no luxo, e o brasileiro vivendo no lixo.”
Conexões com escândalo do Banco Master
As críticas do ex-governador também se estenderam ao escândalo envolvendo Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master. Zema apontou a proximidade entre autoridades do alto escalão e o empresário investigado como motivo de preocupação.
“Estamos vendo as mais altas autoridades do Brasil (…) próximas desse senhor (Vorcaro), que pode ser considerado talvez o maior criminoso da história do país”, disse. “Eu, que sou mineiro como esse criminoso, nunca tive contato. E gente aqui do mais alto nível da República próxima desse senhor. Isso é muito preocupante.”
Propostas de reforma estrutural do Judiciário
Além de manifestar apoio ao impeachment de ministros, Romeu Zema apresentou um conjunto de propostas do Partido Novo para reformular o funcionamento do Poder Judiciário brasileiro.
Mudanças no processo de abertura de inquéritos
Entre as principais medidas defendidas está o fim da dependência do presidente do Senado para abertura de processos contra ministros do STF. “A maioria do Senado é suficiente para abrir qualquer inquérito (…) não ficar dependendo de presidente omisso que tem o rabo preso”, argumentou.
Critérios etários para nomeação
O ex-governador também propõe estabelecer idade mínima de 60 anos para nomeações ao Supremo. “Só nomear para o Supremo quem tiver 60 anos ou mais (…) que já tenha atingido maturidade e estabilidade”, defendeu.
Eliminação de decisões individuais
Outra proposta central é o fim das decisões monocráticas, que permitem a ministros individuais anular votações do Parlamento. “Queremos acabar com as decisões monocráticas (…) os parlamentares votam, uma canetada do Supremo e está tudo desfeito”, criticou Zema.
Democratização do processo de indicação
Por fim, o político defende que a indicação de ministros para o STF deixe de ser prerrogativa exclusiva da Presidência da República, envolvendo outras instituições como o Superior Tribunal de Justiça, a Procuradoria-Geral da República e a Ordem dos Advogados do Brasil.