Facção surgiu na antiga Frei Caneca, evoluindo da “Falange Vermelha” e se tornando o maior símbolo do crime organizado no país

O Comando Vermelho (CV), hoje uma das facções criminosas mais poderosas do Brasil, teve sua origem dentro do presídio da Frei Caneca, no Rio de Janeiro, durante o período da ditadura militar. O grupo nasceu da convivência entre criminosos comuns e militantes de esquerda presos por assaltos e sequestros, e se consolidou como um dos maiores legados da fusão entre ideologia e criminalidade no sistema prisional brasileiro.

Segundo informações publicadas pela Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder, foi dessa mistura que surgiu a “Falange Vermelha”, organização criada por “Bagulhão”, um assaltante e sequestrador que também se envolvia com o tráfico de drogas. O grupo adotou o lema “paz, justiça, liberdade”, que inicialmente soava como um ideal político, mas logo serviu como fachada para a expansão da criminalidade organizada dentro e fora das prisões.

Da Falange ao Comando Vermelho

Com o tempo, a Falange Vermelha passou a receber influência política e ideológica de militantes que conviviam com os detentos. Essa relação resultou em uma aliança entre Bagulhão e outros líderes criminosos, dando origem ao Comando Vermelho, nome que se firmou nas décadas seguintes como sinônimo de poder paralelo e violência armada.

Um dos principais articuladores do grupo era conhecido como “Professor”, figura que se destacava por sua postura intelectual e por redigir petições e manifestos em defesa dos presos. Sua influência entre os companheiros lhe garantiu respeito e até resultou na publicação de um livro.

Estratégia e expansão

Inspirado em táticas de guerrilha e em um rígido código de lealdade, o Comando Vermelho se estruturou como uma organização de hierarquia própria, com regras internas e forte presença nas comunidades cariocas. Aos poucos, o grupo expandiu seu domínio para outras regiões, controlando rotas do tráfico e influenciando a dinâmica da criminalidade no país.

Analistas afirmam que o CV manteve vínculos simbólicos com sua origem ideológica, utilizando discursos de “liberdade e resistência” para justificar sua atuação. Com o passar dos anos, o grupo também passou a infiltrar-se em setores sociais e culturais, inclusive no meio artístico, consolidando uma rede de influência que sobreviveu por gerações.

Hoje, o Comando Vermelho é apontado como uma das facções mais antigas e violentas do Brasil, com ramificações em diversos estados e até fora do país — resultado direto da combinação entre ideologia, criminalidade e poder territorial que marcou seu surgimento no presídio da Frei Caneca.

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