Projeto empresarial de Celso Sabino removeu 5 mil m² de vegetação ao lado do aeroporto de Belém; ministro afirma ter licenças
O ministro do Turismo, Celso Sabino (União), mantém-se no cargo apesar da pressão interna de seu partido e, paralelamente, busca fortalecer influência política durante a realização da COP30, em Belém — onde pretende disputar o Senado em 2026. No entanto, uma empresa da qual ele é sócio destinou R$ 3 milhões para a construção de um posto de combustíveis em uma área de 5 mil m² que antes era tomada por vegetação e que pertence à União, mas foi cedida pela concessionária Noa (Norte da Amazônia Airports), responsável pelo aeroporto da capital paraense até 2053.
A concessão do terreno prevê pagamento mensal de R$ 65 mil, mais 2% do faturamento da operação.
Sabino admite retirada de vegetação, mas nega dano à floresta amazônica
O ministro afirma que o empreendimento possui todas as licenças ambientais e garante que o projeto não destruiu “Floresta Amazônica”. Segundo ele, foram removidos açaizeiros e vegetação rasteira conhecida como juquiras — plantas típicas da região.
Em entrevista ao UOL, Sabino declarou:
“Esse posto, na verdade, é uma empresa da qual eu sou sócio que está construindo, não sou eu pessoalmente. Tinha açaí também, lá.”
Contradição com discurso ambiental em meio à COP30
A instalação do posto ocorre justamente no entorno do aeroporto que recebe participantes da COP30, evento que reúne autoridades, ambientalistas e pesquisadores para discutir compromissos internacionais relacionados ao clima. Embora a conferência busque avançar em pactos contra o aquecimento global, decisões efetivas seguem travadas — situação citada por observadores como reflexo da prevalência de interesses econômicos acima das metas ambientais.
Expansão empresarial no entorno do aeroporto
Em julho, durante evento na sede da Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia), Sabino participou da assinatura de um financiamento de R$ 6 milhões da Caixa destinado a projetos de hotelaria e locação de veículos do empresário Felipe Santos, instalados exatamente na área vizinha ao futuro posto ligado ao ministro.
Imagens anteriores mostram a área verde antes da construção do empreendimento.