Emílio Odebrecht é quem fornece carne de paca para Lula e Janja
O almoço de Páscoa preparado pela primeira-dama Janja no dia 5 de abril ganhou repercussão nacional após a publicação de um vídeo em que ela cozinhava carne de paca. O que não se sabia na ocasião era a identidade do fornecedor. De acordo com o jornal O Globo, quem presenteou o casal presidencial com o animal foi o empresário Emílio Odebrecht, dono da empreiteira que carrega seu sobrenome.
Quem é o fornecedor e de onde vem a paca
Emílio Odebrecht se apresenta como o maior criador de pacas do Brasil. O segmento é tão restrito que sequer existe um número consolidado sobre a produção nacional do animal silvestre. O empresário envia a carne de paca ao presidente Lula algumas vezes por ano, segundo a reportagem.
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A caça de pacas configura crime ambiental no país, com pena de detenção e multa. Porém, a comercialização é permitida desde que o criadouro conte com autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Polêmica nas redes e reação de Janja
A origem do alimento tornou-se alvo de questionamentos nas redes sociais imediatamente após Janja publicar o vídeo do preparo do prato. Para tentar encerrar a controvérsia, a primeira-dama declarou que a carne veio de um “produtor legalizado” e citou uma reportagem sobre criação autorizada como justificativa. Mesmo assim, ela não revelou o nome do doador naquele momento.
O Palácio do Planalto optou por não comentar o presente enviado pelo empresário.
Elogios de Lula e pedido de Janja
Na gravação feita no domingo de Páscoa, Lula rasgou elogios ao tempero de alho e ervas utilizado pela esposa. O petista afirmou que nunca havia comido uma peça “tão gostosa” em qualquer outro lugar do país. Janja, por sua vez, aproveitou o momento para pedir uma oportunidade no programa da apresentadora Ana Maria Braga, que conduz um quadro culinário no Mais Você.
Amizade antiga e histórico judicial
A relação entre Emílio Odebrecht e o atual presidente se estende por décadas. O empresário chegou a ser condenado a mais de três anos de prisão por lavagem de dinheiro no caso do sítio de Atibaia. Investigações identificaram que a empreiteira custeou R$ 700 mil em reformas na propriedade utilizada pela família de Lula.
O processo, contudo, foi anulado em 2021 após decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a competência da vara de Curitiba e prescrição. Ao contrário do filho, Marcelo Odebrecht, Emílio nunca cumpriu pena na cadeia.
Retomada do nome Odebrecht
Em maio de 2025, o grupo Novonor decidiu retomar a marca Odebrecht em sua principal construtora, reestabelecendo o nome que havia sido abandonado nos anos de maior exposição da Lava Jato.