Documentos obtidos pela imprensa apontam a atuação do filho do presidente ao lado de empresários e ex-integrantes da gestão federal
A Polícia Federal (PF) captou diálogos nos quais o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, teria orientado a emissão de cobranças voltadas a fornecedores do governo federal. De acordo com registros levantados pelo portal Metrópoles, o filho do presidente compareceu 18 vezes ao Palácio do Planalto no período entre junho de 2023 e janeiro de 2025.
Mais de 23 horas de permanência no Planalto
Somadas, as entradas de Lulinha no prédio do Executivo ultrapassam 23 horas de estadia. Durante esses encontros, o empresário conversou com Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que ocupou o cargo de ex-chefe de gabinete da Presidência, e também com Swedenberger Barbosa, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde.
Ligação com lobista sob investigação
A investigação da PF mapeou a relação entre Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger. Segundo os investigadores, a empresária teria repassado recursos financeiros e joias a auxiliares do governo. Ela também teria recebido R$ 1,5 milhão de um operador que buscava firmar contratos na área da saúde. Parte desse montante, de acordo com as apurações, teria chegado ao filho do presidente.
Cobrança direcionada a fornecedores
Conforme os elementos reunidos pela PF, Lulinha teria instruído a lobista a emitir recibos em favor de empresários que se beneficiaram de verbas públicas. Entre as ordens registradas, estaria a cobrança dirigida a Cleber Ribas, proprietário de uma empresa que arrecadou mais de R$ 80 milhões em contratos com o governo federal.
O que dizem as defesas
Em resposta, a defesa de Lulinha sustentou que as idas ao Palácio do Planalto tiveram como objetivo apenas visitar o pai e amigos. Já a Secretaria de Comunicação da Presidência declarou que as passagens do empresário pelo prédio tiveram caráter estritamente privado, sem qualquer influência sobre as decisões da administração pública.



