Investigação aponta que MC Ryan SP e Poze do Rodo eram peças-chave em estrutura de lavagem bilionária ligada a facções criminosas
A Polícia Federal revelou que o dinheiro do tráfico de drogas alimentava uma complexa engrenagem de lavagem envolvendo empresas de apostas ilegais, rifas e influenciadores digitais de grande alcance nas redes sociais. As informações foram divulgadas durante a coletiva de imprensa realizada após a deflagração da Operação Narco Fluxo, na manhã desta quarta-feira, 15.
Bloqueio de R$ 1,6 bilhão e 33 mandados de prisão
A operação resultou no cumprimento de 33 mandados de prisão preventiva e 45 de busca e apreensão. A Justiça autorizou o bloqueio de R$ 1,6 bilhão em ativos vinculados ao esquema. Entre os presos preventivamente estão os influenciadores MC Ryan SP e Poze do Rodo, que, segundo a PF, desempenhavam papel central na engrenagem criminosa ao promover empresas de bets e rifas ilegais.
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Como funcionava o esquema de lavagem
Marcelo Alberto Maceiras, Delegado Regional de Polícia Judiciária da PF em São Paulo, detalhou a função das figuras públicas na operação criminosa. Segundo ele, a visibilidade dos influencers era estrategicamente explorada para dar aparência de legalidade às movimentações financeiras.
“Dentro da engrenagem criminosa, se utilizam de pessoas com grande visibilidade para fazer a propaganda dessas empresas ilegais e para movimentar o dinheiro de forma a não chamar a atenção”, afirmou Maceiras.
O delegado acrescentou: “Essas pessoas com muitos seguidores conseguem movimentar grandes quantias sem chamar a atenção dos sistemas de compliance das autoridades e dos bancos, então são muito úteis e facilmente recrutáveis por essas organizações dessa estrutura de lavagem”.
Processadoras de pagamento e laranjas dificultavam o rastreio
De acordo com Maceiras, o esquema de lavagem de dinheiro contava com o uso de processadoras de pagamento, ferramentas que permitiam aos criminosos movimentar volumes expressivos de recursos. Por meio dessas empresas, os valores avançavam para as fases finais da estrutura ilícita, que incluíam a descentralização dos recursos, o uso de contas de passagem e de laranjas — tudo para tornar o rastreamento praticamente impossível pelas autoridades.
Patrimônio ostentado por influenciadores revelou o rastro do dinheiro
A PF seguiu justamente o caminho inverso: partiu do patrimônio ostensivo das figuras públicas para chegar à origem dos valores. Conforme explicou o delegado, na ponta do esquema, o dinheiro lavado se materializava em “grandes festas, veículos e imóveis luxuosos” exibidos pelos investigados.


Conexão com facções e tráfico de drogas
A investigação também apontou que parte significativa dos recursos inseridos na estrutura de lavagem tinha origem no tráfico de drogas. Maceiras foi direto ao tratar da ligação com o crime organizado: “Fatalmente chegamos nas facções criminosas, sem entrar no mérito de ser PCC ou não, mas a investigação demonstra que parte do dinheiro captado e depois despejado nessa estrutura é oriunda do tráfico”.