Governador de São Paulo classifica apuração como medida de dois pesos e duas medidas
Durante entrevista coletiva realizada no Palácio dos Bandeirantes nesta quinta-feira, 16, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), se posicionou de forma contundente contra o inquérito instaurado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que mira o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A investigação foi aberta a pedido do Ministério da Justiça do governo Lula e busca apurar suposto crime de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A coletiva de imprensa tinha como pauta original o anúncio de repasse de R$ 276,6 milhões a municípios paulistas por meio de convênios voltados a beneficiar Estâncias Turísticas e Municípios de Interesse Turístico. Porém, questionado sobre o caso envolvendo Moraes e Flávio, Tarcísio não se esquivou.
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Governador questiona tratamento desigual e defende crítica política
“Se eu fosse abrir inquérito a todas as calúnias que recebo, todos os dias, desde sempre, haja inquérito”, afirmou Tarcísio. “Eu entendo que não pode ter dois pesos e duas medidas. A régua tem de ser a mesma para todos. E crítica política não pode ser alvo de sanção, de coação, porque senão você tira a liberdade de expressão. A gente não pode permitir que um lado possa fazer determinadas coisas e o outro não.”
Na sequência, o governador paulista demonstrou confiança no futuro político de Flávio Bolsonaro. Segundo Tarcísio, “não há nada irregular” e ele “confia na candidatura de Flávio Bolsonaro”. “Já houve cruzamento de linhas”, disse, fazendo referência a pesquisas recentes de intenção de voto para a Presidência da República.
Tarcísio foi além nas projeções eleitorais: “A tendência que a gente vai ver é um derretimento gradual de Lula, um crescimento gradual do Flávio, e tenho certeza de que Flávio vai chegar ao êxito e será o próximo presidente do Brasil, e olhe lá se essa eleição não terminar no primeiro turno”.
Origem do inquérito: postagem de Flávio sobre Lula e Maduro
O inquérito conduzido por Moraes tem como ponto de partida uma publicação feita por Flávio Bolsonaro em suas redes sociais no dia 3 de janeiro. O senador compartilhou uma imagem do presidente Lula ao lado do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, acompanhada do seguinte texto: “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas”.

A apuração foi iniciada após solicitação do Ministério da Justiça do governo Lula, com o objetivo de verificar se a publicação configura crime de calúnia contra o presidente da República.
Líder do PL na Câmara classifica ação como perseguição
O deputado federal Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara dos Deputados, também reagiu à decisão de Moraes. Na quarta-feira, 15, ele declarou à Oeste que se trata de “mais um capítulo da perseguição que venceremos”.
Questionado sobre eventuais estratégias para enfrentar a nova medida, Sóstenes foi direto: “Ganhar as eleições para presidente e maioria no Senado, e tudo estará resolvido”.
O deputado estadual Gil Diniz (PL-SP) também se manifestou na quinta-feira por meio de seu perfil no X, reforçando as críticas à instauração do inquérito contra Flávio Bolsonaro.