Parentes de Luiz Phillipi Mourão cobram laudo do IML, imagens de segurança e acesso aos autos do inquérito da Polícia Federal
Os familiares de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de “Sicário” por Daniel Vorcaro, emitiram nota pública reivindicando acesso integral às provas que fundamentaram a prisão dele e ao laudo pericial sobre sua morte. A cobrança envolve também as imagens de segurança do local onde ele estava detido.
Defesa alega que nunca recebeu elementos probatórios
O advogado Vicente Salgueiro, que representa a família, declarou em comunicado que até o momento não foi possível acessar os elementos probatórios coletados na terceira fase da operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. Nem o Supremo Tribunal Federal nem a própria PF autorizaram que os familiares ou a defesa anteriormente constituída por Mourão tivessem contato com qualquer fragmento dos autos do inquérito ou com as imagens de segurança da unidade prisional.
Receba no WhatsApp as principais notícias do dia em primeira mão
Família contesta apelido e nega envolvimento em violência
Mourão era chamado de “Sicário” — expressão que remete a matador de aluguel — pelo próprio Vorcaro. Entretanto, a família rejeita essa caracterização. Na nota divulgada, os parentes afirmam que jamais tiveram conhecimento de qualquer envolvimento dele em atos de violência. “Ao contrário, tratava-se de pessoa de amplo convívio social, cercado por amigos, sem histórico indicativo de quadro depressivo ou comportamento autolesivo”, diz o texto.
A família também deixou claro que pretende seguir buscando acesso aos elementos reunidos pela operação:
“Embora não subsista no ordenamento jurídico brasileiro a possibilidade de prosseguimento da persecução penal com finalidade de absolvição póstuma, a família continuará a buscar acesso aos elementos reunidos durante essa fase da operação, pois a atribuição de tal qualificação a Phillipi, sem o apontamento dos respectivos elementos probatórios idôneos, configura imputação de extrema gravidade, apta a violar de maneira contundente sua honra e memória.”
IML de Minas Gerais também não apresentou causa da morte
Outro ponto de tensão é a ausência de conclusão oficial sobre a causa da morte. Segundo a nota da família, o Instituto Médico Legal da Polícia Civil de Minas Gerais ainda não disponibilizou aos parentes nenhuma informação sobre a causa mortis. Os familiares relataram que souberam da tentativa de suicídio ocorrida no início de março apenas pela imprensa.
Como Mourão foi preso e o que a PF apurou
Mourão foi detido no início de março, durante a terceira fase da Compliance Zero. De acordo com a Polícia Federal, ele liderava um grupo encarregado de monitorar alvos e planejar ações de intimidação contra desafetos de Vorcaro.
A investigação revelou que informações extraídas do celular do ex-banqueiro continham mensagens nas quais Vorcaro e “Sicário” planejaram forjar um assalto para “dar um pau” e “quebrar todos os dentes” do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Acesso a bases de dados sigilosas
Ainda conforme a PF, o grupo chefiado por Mourão tinha acesso a bases de dados oficiais. Ele seria o responsável por consultar sistemas da própria Polícia Federal e até do FBI para levantar informações de pessoas a mando de Vorcaro.
Morte ocorreu horas após a prisão
Poucas horas depois de ser preso, Mourão atentou contra a própria vida enquanto estava sob custódia na Superintendência da PF em Minas Gerais. Segundo a Polícia Federal, ele tentou tirar a própria vida na cela, foi socorrido e encaminhado a um hospital, mas não resistiu.
Centro de Valorização da Vida
Caso você esteja pensando em cometer suicídio, procure ajuda especializada como o CVV (Centro de Valorização da Vida) e os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) da sua cidade. O CVV funciona 24 horas por dia (inclusive aos feriados) pelo telefone 188, e também atende por e-mail, chat e pessoalmente. São mais de 120 postos de atendimento em todo o Brasil.