Advogados exigem prisão de candidato conservador peruano por contestar eleições
Title: Peru Election Image ID: 26095030977347 Article: Presidential candidate Rafael López Aliaga, of the Popular Renewal party, greets supporters upon arriving at a campaign rally in the Manchay neighborhood in Lima, Peru, Saturday, April 4, 2026. (AP Photo/Guadalupe Pardo)

Rafael López Aliaga é acusado de interferência eleitoral após convocar ‘insurgência’ contra resultados das eleições presidenciais

Uma denúncia criminal foi protocolada contra o candidato presidencial conservador Rafael López Aliaga no Peru, com advogados solicitando sua prisão imediata por supostamente interferir no processo eleitoral nacional. A acusação surge em meio à disputa acirrada pelo segundo lugar nas eleições presidenciais realizadas no domingo.

Disputa pelo segundo turno permanece indefinida

López Aliaga, ex-prefeito de Lima e representante do partido Renovação Popular, figura entre os 35 candidatos que concorreram à presidência. Com 92,9% dos votos apurados, a conservadora Keiko Fujimori lidera com 17,1% dos votos, enquanto a briga pelo segundo lugar se intensifica.

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O deputado Roberto Sánchez Palomino, do partido de esquerda Juntos pelo Peru, mantém ligeira vantagem sobre López Aliaga por apenas 9.309 votos – uma diferença de 0,068%. Sánchez Palomino registra 11,9% dos votos contra 11,9% do candidato conservador.

A contagem lenta dos votos e problemas logísticos marcaram o pleito dominical, com algumas seções eleitorais funcionando até segunda-feira em Lima.

Acusações de perturbação do processo eleitoral

Os advogados Indira Rodríguez e Doller Huamán apresentaram a denúncia acusando López Aliaga de “perturbação do processo eleitoral”. Segundo os denunciantes, o candidato utilizou “seguidores massivos para convocar uma insurreição civil” após questionar os resultados.

Como evidência, os advogados anexaram vídeos de um protesto organizado por López Aliaga na terça-feira em frente ao Conselho Nacional de Eleições. Durante o ato, ele exigiu a anulação das eleições e convocou seus apoiadores para uma “insurgência”.

O candidato conservador deu às autoridades eleitorais um prazo de 24 horas para “declarar nulo este lixo”, alegando que problemas logísticos impediram “mais de um milhão de eleitores” de votar.

Oferta de recompensa por irregularidades

Na quarta-feira, López Aliaga ofereceu uma recompensa de 20.000 soles peruanos (cerca de US$ 5.800) para funcionários do Escritório Nacional de Processos Eleitorais que trouxessem “informações precisas sobre possíveis irregularidades, fraude ou sabotagem”.

Até o momento, o candidato não apresentou evidências que sustentem suas alegações de fraude eleitoral.

Fujimori critica convocação de insurgência

Keiko Fujimori, favorita para avançar ao segundo turno, criticou as declarações de López Aliaga e ofereceu apoio para esclarecer os fatos sobre as eleições. A ex-primeira-dama condenou especificamente a convocação de “insurgência”.

“Os resultados vão ser muito próximos; vai se resumir a cada voto individual. Mas o que absolutamente não podemos permitir é que uma insurgência seja convocada”, declarou Fujimori.

Ela enfatizou que líderes políticos têm o “dever de preservar a ordem e canalizar suas queixas através de procedimentos estabelecidos” em uma democracia.

OEA classifica eleição como pacífica

Apesar dos problemas logísticos, a Organização dos Estados Americanos divulgou relatório preliminar classificando as eleições como pacíficas. O documento oferece recomendações para evitar inconvenientes no segundo turno previsto para junho.

As eleições representam a primeira disputa presidencial no Peru desde 2021, após período de intensa instabilidade política que resultou em nove presidentes diferentes nos últimos dez anos.

O deputado José María Balcázar atua como presidente interino até 28 de julho, quando será substituído pelo vencedor do segundo turno presidencial.

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