Mensagem diplomática pretendia contornar secretário Marco Rubio e propunha acordos econômicos em meio à grave crise na ilha

Uma tentativa do governo cubano de estabelecer comunicação direta com Donald Trump foi frustrada na semana passada quando autoridades americanas interceptaram uma carta oficial destinada ao presidente. A correspondência chegou às mãos de agentes de segurança no Aeroporto Internacional de Miami antes de alcançar seu destino final na Casa Branca.

Estratégia para contornar Marco Rubio

O documento oficial cubano tinha como objetivo principal evitar a intermediação do secretário de Estado Marco Rubio, conhecido por defender políticas rígidas contra o regime da ilha. Segundo informações do Wall Street Journal, a iniciativa partiu diretamente de Raul Rodriguez Castro, neto do ex-presidente Raul Castro e considerado uma das figuras mais influentes do atual governo cubano.

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A operação utilizou Roberto Carlos Chamizo Gonzalez, empresário de 37 anos do setor de turismo de luxo, como mensageiro. O homem de negócios foi detido pelos agentes de segurança americanos, que confiscaram a correspondência e o deportaram imediatamente para Cuba.

Proposta econômica em momento crítico

De acordo com fontes americanas que tiveram acesso ao conteúdo, a carta apresentava propostas de acordos econômicos e de investimento, além de solicitar o alívio das sanções impostas pelos Estados Unidos. O documento também alertava Washington sobre os preparativos cubanos para uma possível invasão militar americana.

A tentativa de diálogo acontece durante a pior crise econômica de Cuba nas últimas décadas. A ilha enfrenta apagões generalizados e desabastecimento após os EUA cortarem o fornecimento de petróleo venezuelano, que representava a principal fonte energética do país.

Críticas à estratégia diplomática

Ricardo Herrero, diretor executivo do Cuba Study Group, classificou a iniciativa como “completamente imprudente e fadada ao fracasso”. O especialista destacou que tentar contornar o principal diplomata americano através de um intermediário sem conexões pessoais com Trump demonstrava falta de estratégia política.

As tensões entre Washington e Havana se intensificaram desde que Trump rotulou Cuba como “uma nação falida” e ameaçou uma “tomada amigável” da ilha. O presidente americano chegou a sugerir que os EUA “podem passar por Cuba” após concluir operações no Irã, provocando alertas de Havana sobre sua prontidão para responder a qualquer ataque.

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