Revisões cadastrais e mudanças no Cadastro Único explicam queda no número de famílias atendidas
O Bolsa Família termina 2025 com uma das maiores reduções de beneficiários desde sua criação. O programa, que hoje atende 18,7 milhões de famílias com pagamento médio de R$ 691,37, tem agora 2,1 milhões de beneficiários a menos do que no início do terceiro ano do governo Lula — resultado direto de uma série de revisões cadastrais e da reformulação do Cadastro Único, implementada em março.
Revisões, cortes e recursos limitados impactam o programa
Segundo o Poder360, a partir do segundo semestre o governo intensificou o pente-fino devido à combinação de dois fatores: limitação orçamentária e revisão de cadastros para excluir fraudes ou irregularidades.
A redução ocorre após um período de expansão. Em dezembro de 2024, o Bolsa Família atendia 20,8 milhões de famílias — número 11,2% superior ao atual.
Durante 2022, último ano da gestão de Jair Bolsonaro, o programa registrou aumento de 7,5 milhões de beneficiários, impulsionado por mudanças feitas em período eleitoral. Com a troca de governo, o ritmo se inverteu, e o total de famílias atendidas vem diminuindo.
Valor do benefício cresce acima da inflação
Apesar da redução no público-alvo, o valor médio pago por família aumentou de forma contínua nos últimos anos.
- Dez/2018: R$ 186,78
- Dez/2022: R$ 607,14
- Dez/2025: R$ 691,37
O governo afirma que parte da queda no número de beneficiários se deve ao aumento da renda familiar, mas admite também exclusões por fraudes detectadas e casos em que, mesmo com documentos apresentados, o ingresso foi negado.
Fila de espera volta a crescer e atinge nível mais alto desde 2022
Os pagamentos de dezembro — que vão até o dia 23 e foram antecipados para garantir recebimento antes do Natal — somam R$ 12,7 bilhões, bem acima dos R$ 3,7 bilhões desembolsados em janeiro de 2022. O recorde da série recente ocorreu em junho de 2023, quando o gasto mensal chegou a R$ 15 bilhões.
O número de famílias pré-habilitadas à espera de ingresso no programa subiu para 987,6 mil em novembro, maior marca desde julho de 2022, quando 1,6 milhão aguardavam liberação. O volume é o maior registrado na atual gestão — os dados de dezembro ainda não foram divulgados.
A maior fila já registrada foi em dezembro de 2021, no governo Bolsonaro, com 2,8 milhões de famílias. Outros anos também superaram a marca de 1 milhão, como 2012, 2013, 2014, 2015, 2019, 2020 e 2022.
Apesar do acúmulo, não há explicação oficial para o crescimento recente da fila. O que se sabe é que, após atender 20,5 milhões de famílias no primeiro semestre, o programa passou por cortes que reduziram o alcance para os atuais 18,7 milhões — sem transparência detalhada sobre o perfil das famílias removidas.