Projeções do Fundo Monetário Internacional mostram piora significativa nas contas públicas brasileiras em relação às estimativas anteriores
O cenário fiscal brasileiro ganhou contornos mais preocupantes segundo novas projeções divulgadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). De acordo com o relatório Monitor Fiscal, apresentado nesta quarta-feira, 15, durante os encontros de primavera realizados em Washington, a dívida pública do país pode atingir o equivalente a 100% do PIB já em 2027 — ano que marca o início do próximo mandato presidencial.
Deterioração em relação às previsões anteriores
O quadro atual representa uma piora considerável quando comparado às projeções de outubro do ano passado. Naquela ocasião, o FMI estimava que a dívida brasileira só chegaria a 98,1% do PIB em 2030. Agora, o organismo internacional calcula que o indicador deverá alcançar 105,5% no início da década de 2030.
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Caso não haja alterações na política fiscal vigente, o país pode ver seu endividamento público escalar para 106,5% do PIB até 2031, conforme o levantamento.
Trajetória da dívida nos governos recentes
O relatório do FMI destaca que, durante a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a trajetória da dívida pública deve registrar uma elevação de 12,6 pontos porcentuais. Em contraste, no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), houve uma leve redução, inferior a 1 ponto porcentual.
Vale ressaltar que a metodologia adotada pelo FMI para calcular a dívida bruta como proporção do PIB inclui títulos do Tesouro em posse do Banco Central. Esse critério difere do utilizado pelo governo brasileiro e tem como objetivo promover maior comparabilidade internacional. O indicador é monitorado de perto por agências de classificação de risco e investidores globais.
Déficit primário e cenário eleitoral
As expectativas do FMI indicam menor confiança na capacidade do país de alcançar equilíbrio fiscal no curto prazo. O organismo descarta a possibilidade de superávit nas contas durante o atual governo. Para 2026, a previsão é de um déficit primário de 0,5% do PIB, acima dos 0,4% registrados em 2025. A meta oficial do governo federal é zerar o déficit, com uma margem de tolerância de 0,25% para mais ou para menos.
A piora nas expectativas está associada ao temor de que os gastos públicos aumentem em 2026, ano eleitoral. Ainda assim, a indicação de Dario Durigan para comandar o Ministério da Fazenda no lugar de Fernando Haddad foi vista por analistas como uma medida de proteção fiscal. Na semana anterior à divulgação do relatório, Durigan declarou que “há discussões em andamento no PT sobre projetos com potencial impacto nas contas públicas”.
Perspectivas de recuperação a partir de 2027
Apesar do cenário adverso, o Fundo Monetário Internacional acredita que o Brasil pode iniciar uma trajetória de recuperação fiscal a partir de 2027, ainda que com déficits remanescentes. A expectativa é de que o próximo governo adote medidas capazes de reverter a tendência de crescimento acelerado do endividamento público.