Pré-candidato à Presidência pelo PSD também afirma que não permitiria interferência do Supremo em decisão popular sobre anistia
Em entrevista ao Canal Meio, no programa Conversas com o Meio — Eleições 2026, o ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), apresentou posições contundentes sobre temas que agitam o cenário político nacional. Entre as declarações mais impactantes, o político defendeu a possibilidade de impeachment de ministros do STF e garantiu que concederá anistia aos envolvidos nos atos do 8/1 logo no início de um eventual mandato.
Anistia a todos os envolvidos no 8 de Janeiro, incluindo Bolsonaro
Caiado reafirmou sua intenção de conceder anistia ampla aos envolvidos nos episódios do 8 de Janeiro, o que inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A medida, segundo ele, seria implementada imediatamente. “[Será] no primeiro dia de mandato. Vou tomar a medida e sanear o problema”, declarou. Para o pré-candidato, a iniciativa é indispensável para superar a divisão política no país e “acabar com a polarização”.
Receba no WhatsApp as principais notícias do dia em primeira mão
O ex-governador classificou a proposta como uma “anistia profilática” e destacou que ela teria como objetivo permitir uma governabilidade estável. “Será uma anistia profilática para que possamos governar em paz. Se eleito, estou credenciado. Não existe nenhum nível de poder que se sobreponha a isso”, afirmou.
Caiado rejeita possibilidade de contestação pelo Supremo
Quando indagado sobre a hipótese de o STF contestar a concessão da anistia, Caiado foi enfático ao rejeitar qualquer interferência do tribunal. Na visão dele, o resultado das urnas teria peso superior a decisões judiciais nesse contexto. Ele argumentou que não se poderia admitir que o Supremo “sobreponha uma decisão plebiscitária da população”.
Defesa do impeachment para qualquer cargo público
Outro ponto central da entrevista foi o posicionamento de Caiado favorável ao impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. O pré-candidato, porém, ampliou a tese para além do Judiciário, sustentando que a medida deveria ser aplicável a qualquer detentor de cargo público.
“Sou favorável ao impeachment de quem quer que seja. Pode ser qualquer um. Essa tese serve para todo mundo. Serve para presidente, para ministro do Supremo, para deputado, para vereador, prefeito, senador, governador, para todos nós”, declarou.
Presunção de inocência: exceção para candidatos à Presidência
Embora tenha defendido a possibilidade de impeachment amplo, Ronaldo Caiado ressaltou a importância de respeitar a presunção de inocência como princípio geral. Ainda assim, fez uma ressalva significativa: abriria exceção para quem concorre à Presidência da República. “Qualquer outro cidadão tem direito à presunção de inocência. A única exceção que eu faria neste momento é um candidato à Presidência da República”, afirmou.
Desenvolvendo o raciocínio, o ex-governador de Goiás acrescentou: “se ele [candidato] tiver que explicar, melhor não competir”. E completou: “O Brasil está tão cansado disso que precisa de um candidato sobre o qual não paire nenhuma dúvida”.