O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou na quarta-feira (8) a primeira sessão que define como será escolhido o novo governador do Rio de Janeiro após a renúncia de Cláudio Castro (PL). Os ministros estão divididos entre eleição direta, com participação popular, ou indireta, através dos deputados estaduais.
O julgamento registra empate de 1 a 1 e será retomado nesta quinta-feira (9), com início da votação pelo ministro Flávio Dino. Ainda faltam os votos de oito ministros da Corte.
Receba no WhatsApp as principais notícias do dia em primeira mão
Posições divergentes no STF
O ministro Cristiano Zanin defendeu a realização de eleições diretas no Rio, evitando detalhar aspectos como formato e cronograma do pleito. Segundo ele, essas definições devem ser estabelecidas pelo plenário após a conclusão do julgamento.
Em posição contrária, o ministro Luiz Fux manifestou-se favorável às eleições indiretas, argumentando sobre a proximidade do pleito regular de outubro.
Independentemente da decisão final, os futuros ocupantes do Palácio Guanabara exercerão mandato até 31 de dezembro, já que o governador para mandato completo será eleito em outubro por voto direto.
Sustentações marcantes
Durante as sustentações orais, o advogado Thiago Fernandes Boverio, representando o Partido Social Democrático (PSD), fez uma comparação inusitada do Rio de Janeiro com Gotham City, cidade fictícia do Batman. Ele alertou que, em caso de eleição indireta, “não será o Batman, mas sim o Coringa” que assumirá o governo.
O ex-procurador-geral da República Aristides Junqueira afirmou não haver “outra saída no caso concreto senão a realização de eleição direta”. A Procuradoria-Geral da República também se posicionou favorável ao voto popular.
Contexto da crise fluminense
A situação no Rio se tornou complexa após uma série de eventos:
- Cláudio Castro renunciou um dia antes de ser julgado pelo TSE
- O ex-governador foi condenado e declarado inelegível até 2030
- O vice-governador Thiago Pampolha também foi condenado pelo TSE
- O presidente da Assembleia, Rodrigo Bacellar, está preso por suspeita de vazamento de informações
Atualmente, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto de Castro, comanda o Estado interinamente.
O caso envolve acusações de criação irregular de mais de 27 mil cargos comissionados através da Fundação Ceperj e da Uerj para favorecer a reeleição de Castro em 2022.