Quase R$ 11 bilhões em dinheiro esquecido permanecem em instituições financeiras, aponta Banco Central
Dinheiro esquecido pode ser usado pelo governo para ampliar crédito via fundo garantidor | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Governo estuda destinar recursos não resgatados ao Fundo Garantidor de Operações, mas proposta enfrenta resistência

Um montante de R$ 10,6 bilhões em dinheiro esquecido estava depositado em instituições financeiras brasileiras até fevereiro, conforme dados divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira, 14. O número ficou praticamente estável em relação a janeiro, quando o total era de R$ 10,5 bilhões. Desde que o programa de devolução teve início, R$ 14,2 bilhões já retornaram aos seus donos.

Pessoas físicas concentram a maior fatia dos valores

O levantamento do Banco Central revela que cidadãos comuns detêm a maior parcela dos recursos. Aproximadamente 47 milhões de pessoas físicas possuem valores a receber, totalizando R$ 8,1 bilhões. No universo corporativo, cerca de 5 milhões de empresas acumulam R$ 2,4 bilhões em recursos não resgatados.

Receba no WhatsApp as principais notícias do dia em primeira mão

Entre no grupo

Maioria dos valores não passa de R$ 10

A composição do estoque evidencia a predominância de pequenas quantias. Do total, 63,2% correspondem a valores de até R$ 10. A faixa entre R$ 10,01 e R$ 100 representa 24,3% do montante. Quantias entre R$ 100,01 e R$ 1.000 somam 10,5%. Apenas 1,99% dos recursos ultrapassam R$ 1.000.

Onde estão os recursos esquecidos

Quanto à localização desse dinheiro esquecido, bancos concentram R$ 6,3 bilhões. Administradoras de consórcio respondem por R$ 2,6 bilhões, enquanto cooperativas de crédito reúnem aproximadamente R$ 953 milhões.

Destino dos valores entra na pauta do governo

O expressivo volume de recursos parados passou a integrar as discussões sobre estratégias para aliviar a situação de famílias endividadas. Uma das alternativas em análise pelo governo é canalizar esses valores para o Fundo Garantidor de Operações (FGO), ampliando a oferta de crédito.

A iniciativa, porém, não é consensual. Opositores da medida alegam que ela configuraria interferência sobre recursos privados. Já interlocutores do governo sustentam que alterações legislativas aprovadas em 2024 fixaram um prazo para resgate, o que restringiria o direito sobre os valores não retirados dentro desse período.

Instituições financeiras também manifestam preocupação com a proposta. Para os bancos, esses depósitos funcionam como uma fonte de financiamento de baixo custo, e sua transferência ao FGO poderia impactar suas operações.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você também pode gostar

Bolsa Família encerra 2025 com 2 milhões de beneficiários a menos

Bolsa Família fecha 2025 com 2,1 milhões de beneficiários a menos após revisões cadastrais e cortes, enquanto fila de espera cresce.

Dívida pública do Brasil pode alcançar 100% do PIB em 2027, alerta FMI

Relatório Monitor Fiscal do FMI aponta que dívida pública brasileira pode chegar a 100% do PIB em 2027 com piora nas projeções fiscais