Zahra Ghanbari teve bens confiscados pelo governo iraniano, mas decisão foi revertida judicialmente após o que autoridades chamaram de “mudança de comportamento”
A capitã da seleção feminina de futebol do Irã, Zahra Ghanbari, foi alvo de represálias do regime teocrático iraniano depois de ter inicialmente aceito uma oferta de asilo na Austrália e, em seguida, voltado atrás. A jogadora integra uma lista com 400 iranianas classificadas como “apoiadores do inimigo” pela República Islâmica, divulgada no último fim de semana.
O episódio que desencadeou a crise
Tudo começou quando a seleção feminina de futebol do Irã desembarcou na Austrália para disputar a Copa da Ásia, no final de fevereiro. No dia 2 de março, antes da partida contra a Coreia do Sul, um grupo de jogadoras perfiladas desafiou abertamente o regime ao se recusar a cantar o hino nacional iraniano.
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A atitude provocou forte reação da mídia iraniana, que rotulou as atletas como “traidoras em tempos de guerra”. Vale lembrar que, desde 28 de fevereiro, o Irã vinha sendo bombardeado por forças dos Estados Unidos e de Israel. O clima de tensão era tão grave que uma jogadora teria recebido uma mensagem de voz da mãe dizendo: “Não volte [para o Irã]… eles vão te matar”. Outra mensagem, enviada por parente de uma das atletas, alertava: “Vocês precisam ficar”.
Oferta de refúgio e repercussão internacional
Diante da repercussão, o governo australiano ofereceu asilo à equipe, temendo que as jogadoras corressem perigo caso retornassem ao país. Líderes mundiais, incluindo Donald Trump, também pediram a adoção de medidas que garantissem a segurança das atletas.
Ghanbari e outras seis companheiras de equipe chegaram a aceitar vistos humanitários oferecidos pela Austrália. Porém, dias depois, desistiram da decisão. Segundo relatos, ameaças feitas contra as famílias das jogadoras que permaneciam no Irã foram o fator determinante para que elas abrissem mão de ficar na Oceania. Outras quatro companheiras também retornaram, restando apenas duas atletas em solo australiano.
Lista de “apoiadores do inimigo” e confisco de bens
A lista publicada pelo regime iraniano mira principalmente pessoas ligadas a veículos de comunicação acusados de “apoiar ataques estrangeiros e grupos de oposição hostis no exterior”, mas também nomeou diversos atletas, atores e executivos de alto escalão. Como consequência direta de sua inclusão, Ghanbari teve todos os seus bens confiscados pelo governo.
Reversão judicial e justificativa oficial
Na segunda-feira, contudo, uma ordem judicial determinou a devolução dos bens à atleta. A justificativa apresentada foi “a uma declaração de inocência na sequência de uma mudança de comportamento da parte de Ghanbari”.
O retorno de Ghanbari ao Irã foi apresentado pela mídia local como um ato de patriotismo, enquanto as autoridades garantiram que ela não receberia punição.