Bita Hemmati foi sentenciada à morte junto com o marido e outros dois manifestantes por tribunal revolucionário em Teerã
Uma mulher iraniana está prestes a se tornar a primeira manifestante do sexo feminino executada em razão dos protestos que varreram o Irã em janeiro. Bita Hemmati, seu marido Mohammadreza Majidi-Asl e outros dois manifestantes — Behrouz Zamaninejad e Kourosh Zamaninejad — receberam a sentença de morte por enforcamento.
Condenação por tribunal presidido por juiz notório
A decisão foi proferida por um Tribunal Revolucionário de Teerã, presidido pelo notório juiz Imam Afshari, conforme reportou o “Sun”. Os quatro réus foram considerados culpados de terem arremessado blocos de concreto do prédio onde moravam contra as forças de segurança do Estado durante os atos de protesto.
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Na leitura da sentença final, os condenados também foram acusados de agir em nome dos EUA, de acordo com informações da agência de notícias americana Human Rights Activists News Agency.
Mais de 1.600 execuções em 12 meses
Organizações internacionais de defesa dos direitos humanos denunciam que o regime iraniano teria enforcado mais de 1.600 pessoas nos últimos 12 meses. Diversas dessas execuções estão diretamente ligadas à participação nos protestos que eclodiram no país.
Vídeo de interrogatório e acusações de tortura
O Centro Abdorrahman Boroumand (ABC) acredita que Bita Hemmati é a mesma mulher que apareceu em um vídeo exibido pela televisão estatal em janeiro, sendo interrogada por forças da Guarda Revolucionária Islâmica.

O regime teocrático do Irã tem sido sistematicamente acusado de forçar prisioneiros a confessar crimes. Segundo denúncias, os detidos são submetidos a tortura, coação e estresse extremo para obter confissões forçadas.
Data da execução permanece desconhecida
Até o momento, não há informação oficial sobre quando a execução de Bita Hemmati e dos demais condenados será realizada. O caso reacende o debate internacional sobre violações de direitos humanos no Irã e a repressão violenta contra manifestantes que desafiam o governo.